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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

belo maio | bela como os lírios ~


IV

A mediunidade de Jeanne d’Arc; o que eram as suas vozes; fenómenos análogos, antigos e modernos


De pé, banhada em pranto, escuta atentamente

Alguma voz do céu, dolente.

                          Paul Allard

Os fenómenos de visão, de audição, de premonição, que marcam a vida de Jeanne d'Arc deram lugar às mais diversas interpretações. Entre os historiadores, uns não viram neles mais do que casos de alucinação; outros chegaram a falar de histeria ou neurose. Alguns lhe atribuíram carácter sobrenatural e miraculoso.

O fim capital desta obra é analisar tais fenómenos, demonstrar que são reais, que obedecem a leis por muito tempo ignoradas, mas cuja existência se revela, a cada dia, de modo mais imponente e mais preciso.

À medida que se dilata o conhecimento do Universo e do ser, a noção do sobrenatural recua e se apaga. Sabe-se hoje que a Natureza é una; porém, que na sua imensidade encerra domínios, formas de vida, que durante largo tempo nos escaparam aos sentidos. Sendo estes, como são, extremamente limitados, não nos deixam perceber senão as faces mais grosseiras e elementares do Universo e da vida. A sua pobreza e insuficiência se manifestaram sobretudo a partir da invenção dos poderosos instrumentos de óptica, o telescópio e o microscópio, que alargaram em todas as direcções o campo de nossas percepções visuais. Que sabíamos dos infinitamente pequenos, antes da construção dos aparelhos de ampliação? Que sabíamos das inúmeras existências que pululam e se agitam em derredor de nós e em nós mesmos?

Entretanto, isso constitui apenas os baixos da Natureza e, por assim dizer, o substractum da vida. Para o alto sucedem-se e se escalonam planos sobre os quais se graduam existências cada vez mais subtis, etéreas, inteligentes, com um carácter ainda humano; depois, em certas alturas, angélicas, pertencentes sempre, tanto pelo exterior, como pela essência, aos estados imponderáveis da matériaestados que, sob muitos aspectos, a Ciência hoje reconhece, como, por exemplo, na radioactividade dos corpos, nos raios de Röntgen, em todo o conjunto das experiências realizadas sobre a matéria radiante.

Além dos visíveis e tangíveis, que nos são familiares, sabemos agora que a matéria também comporta múltiplos e vários estados invisíveis e impalpáveis, que ela pouco a pouco se apura, se transforma em força e luz, para tornar-se o éter cósmico dos físicos. Em todos esses estados, debaixo de todos esses aspectos, continua sendo substância em que se tecem inúmeros organismos, formas de viver de uma inimaginável tenuidade. Num largo oceano de matéria subtil, intensa a vida palpita por sobre e em torno de nós. Para lá do círculo apertado das nossas sensações, cavam-se abismos, desdobra-se um vasto mundo desconhecido, povoado de forças e de seres que não percebemos, porém que, todavia, participam de nossa existência, de nossas alegrias e sofrimentos, e que, dentro de determinados limites, nos podem influenciar e socorrer. Nesse mundo incomensurável é que uma nova ciência se esforça por penetrar.

Numa conferência que fez, há anos, no Instituto Geral Politécnico, o Doutor Duclaux, director do Instituto Pasteur, se exprimia nos seguintes termos: “Esse mundo, povoado de influências que experimentamos sem as conhecer, penetrado de um quid divinum que adivinhamos sem lhe percebermos as minúcias, é mais interessante do que este em que até agora se confinou o nosso pensamento. Tratemos de abri-lo às nossas pesquisas: há nele, por fazerem-se, infindáveis descobertas, que aproveitarão à Humanidade.”

Oh! maravilha! nós mesmos pertencemos, por uma parte do nosso ser, a mais importante, a esse mundo invisível que dia a dia se desvenda aos observadores atentos. Existe em todo o ser humano uma forma fluídica, um corpo imperceptível, indestrutível, imagem fiel do corpo físico, do qual este último é apenas o revestimento transitório, o estojo grosseiro, dispondo de sentidos próprios, mais poderosos do que os do invólucro material, que não passam de enfraquecido prolongamento dos primeiros. (i)

(i) A existência do duplo eu, ou fantasma dos vivos, está firmada por uma infinidade de factos e de testemunhos. Essa dupla personalidade pode separar-se do envoltório carnal durante o sono, quer naturalmente, quer provocado, e manifestar-se à distância. Os casos de telepatia, os fenómenos de desdobramento, de exteriorização, de aparição de vivos em pontos afastados do lugar em que repousam, relatados tantas vezes por F. MyersC. Flammarion, professor C. Richet, Drs. Dariex e Maxwell, etc., são a demonstração experimental mais evidente daquela existência. Os anais da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres, constituída pelos mais eminentes sábios da Inglaterra, se mostram repletos de factos desse género. Ver, para maiores minudências: Léon DenisDepois da Morte (edição de 1909, “O Perispírito, ou corpo fluídico”, cap. XXI, págs. 226 e segs.); No Invisível (“O Espírito e a sua forma”, cap. III, págs. 31 e segs.); G. DelanneLes fantômes des vivants.

No corpo fluídico está a verdadeira sede das nossas faculdades, da nossa consciência, do que os crentes de todas as eras chamaram almaA alma não é uma entidade metafísica, mas, sim, um centro imperecível de força e de vida, inseparável da sua forma subtilíssima. Preexiste ao nosso nascimento, bem como à nossa morte, não tem efeito sobre eles. Vem a encontrar-se, no além-túmulo, na plenitude das suas aquisições intelectuais e morais. Tem por destino continuar, através do tempo e do espaço, a evolver para estados sempre melhores, sempre mais iluminados pela luz da justiça, da verdade e da beleza eterna. O ser, indefinidamente perfectível, colhe aumentados, quando no estado psíquico, os frutos do trabalho, dos sacrifícios e, das provações de todas as suas existências.

Os que viveram entre nós, e continuam a sua evolução no Espaço, não se desinteressam dos nossos sofrimentos e das nossas lágrimas. Dos páramos superiores da vida universal manam continuamente sobre a Terra correntes de força e de inspiração. Vêm daí as centelhas inesperadas do génio, os fortes sopros que passam sobre as multidões, nos momentos decisivos; daí também o amparo e o conforto para os que vergam ao peso do fardo da existência. Misterioso laço une o visível ao invisível. Relações de diversa ordem se podem estabelecer com o Além, mediante o auxílio de certas pessoas especialmente dotadas, nas quais os sentidos profundos, que jazem adormecidos em todo o ser humano, são capazes de despertar e entrar em acção desde a vida terrena. A esses auxiliares é que damos o nome de médiuns. (ii)

(ii) Ver: Léon DenisDepois da Morte, edição de 1959, capítulo II, e No Invisível, caps. IV e V.

No tempo de Jeanne d'Arc essas coisas não eram compreensíveis. As noções sobre o Universo e sobre a verdadeira natureza do ser permaneciam ainda confusas e, em muitos pontos, incompletas, ou erróneas. Entretanto, caminhando, há séculos, de conquista em conquista, mau grado às suas hesitações e incertezas, o espírito humano já hoje começa a levantar o voo. O pensamento do homem se eleva, acabamos de vê-lo, acima do mundo físico e, mergulha nas vastas regiões do mundo psíquico, onde principia a entrever o segredo das coisas, a chave de todos os mistérios, a solução dos grandes problemas da vida, da morte e do destino.

Não esquecemos ainda a controvérsia de que estes estudos foram objecto, a princípio, nem as críticas acerbas que ferem os que, corajosamente, persistem em semelhantes pesquisas, para manter relações com o invisível. Mas, não zombaram também, até no seio das sociedades sábias, de muitas descobertas que, mais tarde, se impuseram como outras tantas refulgentes verdades? O mesmo se dará com a existência dos Espíritos. Um após outro, os homens de ciência são obrigados a admiti-la e, frequentemente, por efeito de experiências destinadas a demonstrar-lhes a falta de fundamento, Sir W. Crookes, o célebre químico inglês, que pelos seus compatriotas é igualado a Newton, pertence a esse número. Citemos também Russell Wallace e Oliver LodgeLombroso, na Itália; os doutores Paul Gibier e Dariex, na França; na Rússia, o Conselheiro de Estado Aksakof ; na Alemanha, o barão du Prel e o astrónomo Zöllner(iii)

(iii) Conhecem-se as experiências do ilustre físico Sir W. Crookes, que, durante três anos, obteve em sua casa materializações do Espírito de Katie King, em condições de rigorosa fiscalização. Crookes, falando dessas manifestações, declarava: “Não digo que isto é possível; digo: isto é um facto.”

Pretendeu-se que ele se retratasse. Entretanto, W. Stead escrevia ao New York American; “Londres, 7 de fevereiro de 1909. Estive com Sir W. Crookes, no Ghost Club (Clube dos Fantasmas), onde fora jantar, e ele me autoriza a dizer o seguinte: “Depois das minhas experiências acerca do Espiritismo, começadas há trinta anos, nenhuma razão encontro para modificar a minha opinião de outrora”.

Oliver Lodge, reitor da Universidade de Birmingham, membro da Academia Real, escreveu: “Fui levado pessoalmente à certeza da existência futura por provas assentes em bases puramente científicas.”

Frederic Myers, o professor de Cambridge, que o Congresso Oficial e Internacional de Psicologia, de Paris, em 1900, elegera seu presidente honorário, no magnífico livro A Personalidade Humana, chega à conclusão de que do além-túmulo nos vêm vozes e mensagens. Falando do médium Mrs. Thompson, escreve: “Creio que a maior parte dessas mensagens vêm de Espíritos que se servem temporariamente do organismo dos médiuns para no-las transmitir.”

O célebre professor Lombroso, de Turim, declara na Lettura: “Os casos de habitações em que, durante anos, se reproduzem aparições ou ruídos, observados na ausência de médiuns, coincidindo com a narração de mortes trágicas, depõem a favor da acção dos defuntos.” – “Trata-se amiúde de casas desabitadas, onde tais fenómenos se produzem às vezes durante muitas gerações e mesmo durante séculos.” (Ver: Annales des Sciences Psychiques, fevereiro de 1908.)

Compreende-se a importância de tais testemunhos, que poderíamos multiplicar, se o quadro desta obra no-lo permitisse.

Todo o homem sério, que se conserva a igual distância de uma credulidade cega e de uma não menos cega incredulidade, é forçado a reconhecer que as manifestações de que aqui se trata ocorreram em todos os tempos. Encontrá-las-eis em todas as páginas da História, nos livros sagrados de todos os povos, assim entre os videntes da Índia, do Egipto, da Grécia e de Roma, como entre os médiuns de nossos dias. Os profetas da Judeia, os apóstolos cristãos, as druidisas da Gália, os inspirados das Cevenas, na época dos Camisards, tiraram as suas revelações da mesma fonte que a nossa boa virgem lorena.

mediunidade sempre existiu, pois que o homem sempre foi espírito e, como espírito, manteve em todas as épocas uma brecha aberta sobre o mundo inacessível aos nossos sentidos ordinários.

Constantes, permanentes, tais manifestações, em todos os meios, se dão sob todas as formas, das mais comuns às mais grosseiras, como as das mesas falantes, dos transportes de objectos sem contacto, das casas assombradas, até aos mais delicadas e sublimes, como o êxtase ou as altas inspirações, tudo conforme à elevação das inteligências que intervêm.

/...

“Próximo da casa de Jeanne d'Arc passava uma vereda que, atravessando tufos de groselheiras, subia o outeiro a cujo cimo, coberto de mata, era dado o nome de Bois Chesnu. A meia encosta, debaixo de grande faia isolada, borbotava uma fonte, objecto de culto tradicional. Nas suas águas claras, desde tempos imemoráveis, buscavam a cura os enfermos que a febre atormentava... Seres misteriosos, anteriores entre nós ao cristianismo e que os camponeses nunca assentiram em confundir com os espíritos infernais da legenda cristã, os génios das águas, das pedras e dos bosques, as senhoras fadasfrequentavam a cristalina fonte e a faia secular, que se chamava o "Belo Maio". Ao entrar a primavera, vinham as donzelas dançar em baixo da árvore de Maio, “bela como os lírios” e pendurar-lhe nos galhos, em honra das fadas, grinaldas que desapareciam durante a noite, segundo era voz geral”. (*)

                                     Henri Martin – Histoire de France (*), t. VI, páginas 138 e 193.

Léon Denis, Jeanne d’Arc Médium, Primeira Parte – Vida e mediunidade de Jeanne d'Arc, IV A mediunidade de Jeanne d’Arc; o que eram as suas vozes; fenómenos análogos, antigos e modernos (1 de 6), 6º fragmento desta obra.
(imagem de contextualização: L'Annonciation, 1901, pintura de Edgard Maxence)

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Saberes e o tempo ~


Estudo sobre a identidade dos Espíritos ~

(in Discussão em torno dos fenómenos de materialização)

Na sábia e conscienciosa obra que Alexandre Aksakof consagrou à refutação das teorias do filósofo Hartmann, depara-se-nos a seguinte conclusão:

“Tendo adquirido por laboriosa senda a convicção de que o princípio individual sobrevive à dissolução do corpo e pode, sob certas condições, manifestar-se de novo por intermédio de um corpo humano, acessível a influências desse género, a prova absoluta da identidade do indivíduo resulta impossível.”

Rendemos sincera admiração e profundo respeito ao sábio russo que revelou, na sua obra, espírito tão sagaz, quanto penetrante. O seu livro é uma das mais preciosas colectâneas de fenómenos bem estudados, onde os espíritas encontram armas decisivas para sustentar a luta contra os seus adversários. Mas, não podemos adoptar todas as suas ideias, por se nos afigurar que o seu propósito, de se manter estritamente nos limites que lhe eram impostos na sua discussão com Hartmann, o fez restringir demasiadamente o carácter de certeza que ressalta da experimentação espírita. Não haverá contradição entre a primeira e a segunda parte da citação acima? Como se pode adquirir “a convicção de que o princípio individual sobrevive”, se não se pode estabelecer a identidade dos seres que se manifestam? Concluindo-se que, colectivamente, todos os humanos sobrevivem, será impossível ter-se particular certeza, em relação a um deles? Examinemos os argumentos em que se baseou o Sr. Aksakof para chegar àquela desoladora conclusão.

Segundo o autor, (i) a presença de uma forma materializada, comprovada pela fotografia, ou nas sessões de materialização, não bastaria para lhe atestar a identidade, como, aliás, também não bastaria o conteúdo intelectual das comunicações. Eis porquê:

“Não me resta mais do que formular o último desideratum, relativamente à prova de identidade fornecida pela materialização, e é que essa prova – do mesmo modo que o exigimos no tocante às comunicações intelectuais e à fotografia transcendental – seja dada na ausência de qualquer pessoa que possa reconhecer a figura materializada. Creio que se poderiam encontrar muitos exemplos desse género nos anais das materializações. Mas, a questão é esta: dado o facto, poderia ele servir de prova absoluta? Evidentemente, não, porque, admitindo que um Espírito se pode manifestar dessa maneira, possível lhe é, e o ipso, prevalecer-se dos atributos de personalidade doutro Espírito e personificá-lo na ausência de quem quer que seja capaz de reconhecê-lo. Tal mascarada seria completamente insípida, visto que absolutamente nenhuma razão de ser teria. Do ponto de vista, porém, da crítica, não poderia ser ilógica a sua possibilidade.”

Parece que Alexandre Aksakof admite como demonstrado que um Espírito pode mostrar-se sob qualquer forma, que lhe apeteça tomar, a fim de representar a sua própria personagem. Ora, isso é o que justamente seria necessário firmar, por meio de factos numerosos e precisos. Se consultarmos os milhões de casos em que o Espírito de um vivo se tornou visível, verificaremos que o duplo é sempre a reprodução rigorosamente fiel do corpo, atingindo essa identidade todas as partes do seu organismo, como o prova irrefutavelmente a modelagem do pé fluídico de William Eglinton, do qual falamos no capítulo anterior. (ii)

– Quando o duplo inteiro de Eglinton se materializa, assemelha-se a tal ponto ao seu corpo físico, que é necessário ver-se o médium adormecido na sua cadeira, para se ficar convencido de que ele não está no lugar onde se encontra a aparição. – Quando a Sra. Fay se mostra entre as duas metades da cortina, com as suas vestes e o seu rosto, perfeitamente semelhantes aos do seu corpo físico, com os mesmos traços fisionómicos, cor dos olhos, do cabelo, da pele, torna-se necessário que a corrente eléctrica lhe atravesse o organismo carnal, para se ter a certeza de não ser este o que se está a ver.

“Vi – diz o Sr. Brackett, (iii) experimentador muito céptico e muito prudente –, centenas de formas materializadas e, em muitos casos, o duplo fluídico do médium assemelhando-se-lhe tanto, que eu teria jurado ser o próprio médiumse não visse o mesmo duplo desmaterializar-se diante de mim e não houvesse, logo após, comprovado que o médium se conservava adormecido.”

Não acreditamos que possa alguém citar um único exemplo de haver um duplo de vivo mudado o seu tipo, exclusivamente por vontade própria. Ao contrário, da observação das aparições espontâneas, tanto quanto das obtidas pela experiência, resulta que, se nenhuma influência exterior for exercida, o Espírito se mostra sempre sob a forma corpórea que lhe caracteriza a personalidade. Dar-se-à tenha ele, depois da morte, um poder que lhe faltava em vida? Poderia o Espírito dar ao seu corpo espiritual forma idêntica à de outro Espírito, de maneira a ser o sósia deste? É o que vamos examinar.

À primeira vista, parece que o fenómeno da transfiguração confirma a opinião de que o Espírito pode mudar de forma. Mas, será mesmo assim? Na realidade, o paciente é inteiramente passivo. Não é, pois, consciente ou voluntariamente que modifica o seu próprio aspecto. Ele sofre uma influência estranha, que substitui pela sua aparência a do médium, pois que, geralmente, este não conhece o Espírito que sobre ele actua. Não se pode, portanto, pretender que o Espírito de um médium seja capaz – e o ipso – de se transformar. Em nenhum caso foi isso ainda demonstrado e a substituição de forma bem se pode atribuir a outro Espírito, visto que, quando o desdobramento se produz de modo espontâneo, a forma do Espírito é sempre a do corpo.

Estudemos agora os casos em que a aparição é manifestamente diferente do médium e do seu duplo.

Porventura já se comprovou que um Espírito, tendo-se mostrado sob uma forma bem definida, tenha mudado de aspecto diante dos espectadores, assumindo outra inteiramente diversa da primeira? Jamais semelhante fenómeno se produziu. A única observação, do nosso conhecimento, que tem alguma relação com este assunto, é a que relata o Sr. Donald Mac Nab, que conseguiu fotografar e tocar, com os seus seis amigos, a materialização de uma rapariga que reproduziu absolutamente um velho desenho datando de vários séculos, desenho que muito impressionara o médiumNada, porém, prova, nesse exemplo, que essa aparição não seja a da moça representada no desenho, tendo bastado perfeitamente, para atraí-la, o pensamento simpático do médium. Não está, pois, de modo algum estabelecido que seja essa uma transformação do duplo do médium, nem tampouco uma criação fluídica objectivada pelo seu cérebro. O que algumas vezes se tem verificado são modificações na forma, na coloração do semblante, na expressão da fisionomia da aparição. Pode variar muito o grau da sua materialidade e, sendo esta fraca, não acentuar bastante os detalhes da semelhança; mas, o tipo geral não muda. As modificações são as de um mesmo modelo e não chegam para representar outro ser.

Tomemos o exemplo de Katie King. Indubitavelmente, ela não era um desdobramento de Florence Cook, porquanto esta, acordada, conversa durante alguns minutos com Katie e o Sr. Crookes, que as vê a ambas. A independência intelectual do Espírito materializado revela-se aí com toda a clareza, nada tendo de duvidoso com relação ao corpo físico, visto que o Sr. Crookes assinalou as diferenças de forma, de tez, de cabeleira e, o que é mais importante, dos caracteres fisiológicos entre as duas.

“Uma noite, contei as pulsações de Katie. O seu pulso batia regularmente 75 batidas, ao passo que o da Srta. Cook, poucos instantes depois, chegava às 90. Colando o ouvido no peito de Katie, ouvi-lhe o coração bater dentro e os seus batimentos ainda eram mais regulares do que os do coração da Srta. Cook, quando, após a sessão, ela me permitiu a mesma experiência. Auscultados, os pulmões de Katie se revelaram mais sãos do que os da sua médium que, na ocasião em que fiz a minha experiência, estava em tratamento médico devido a um forte resfriado.”

Evidentemente, segundo o que se acaba de ler, Katie não era a figura nem do corpo, nem do duplo do médium. Tinha uma individualidade distinta, se bem que nem sempre aparecesse completa. Numa sessão com Varley, engenheiro-chefe das linhas telegráficas da Inglaterra, estando a médium fiscalizada electricamente, Katie só se mostrou materializada a meio, até à cintura apenas, faltando ou conservando-se invisível o resto do corpo.

“Apertei a mão àquele ser estranho – diz o célebre engenheiro – e, ao terminar a sessão, mandou Katie que eu fosse despertar a médium. Encontrei a Srta. Cook em transe, isto é, adormecida, como eu a deixara, e intactos todos os fios de platina. Despertei-a.”

Segundo Epes Sargent, nos primeiros tempos, apenas se via o rosto; não havia cabelos, nem coisa alguma acima da fronte. Parecia uma máscara animada. Após cinco ou seis meses de sessões, apareceu em forma completa. Esses seres então se condensam mais facilmente e mudam de cabelos, de vestuário, de cor da tez, à vontade. Mas, note-se bem que é sempre o mesmo tipo, nunca uma outra forma.

Neste ponto, torna-se necessário precisemos bastante o que entendemos pelo termo tipo. Quando se comparam fotografias de um indivíduo, tiradas em diversas épocas de sua vida, reconhecem-se grandes diferenças entre as que ele tirou na idade de 15 anos e as que o representam aos 30 anos. Tudo se modificou profundamente. Os cabelos embranqueceram ou rarearam, os traços se acentuaram ou ampliaram; notam-se rugas onde antes só se via plena juvenilidade. Entretanto, com um pouco de atenção, se chega a perceber que essas divergências não são fundamentais, que se encerram dentro de limites definidos, dentro do que constitui, durante a vida toda, a característica da individualidade: o tipo. Podemos perfeitamente conceber que o perispírito seja capaz de reproduzir uma dessas formas, pois que evolveu através delas neste mundo. Essa faculdade de fazer que uma imagem reviva de si mesma assemelha-se a um avivamento de lembranças, o qual evoca uma época passada e a torna presente para a memória. Nada se perde no envoltório fluídico, as formas do ser se fixam nele e podem reaparecer sob o influxo da vontade. Isso se demonstra por meio de alguns exemplos.

Voltemos ao testemunho do Sr. Brackett, citado pelo Sr. Erny.

“Numa sessão de materialização, vi um rapaz de grande estatura dizer-se irmão da senhora que me acompanhava e que lhe replicou: “Como poderia eu reconhecê-lo, se não o vejo desde criança?” Para logo, a figura diminuir de forma pouco a pouco, até chegar à do menino que a senhora conhecera. Observei outros casos do mesmo género, acrescenta Brackett.”

Aqui está outro testemunho seu:

“Uma das formas que aparecem em casa da Sra. F... disse ser Berta, minha sobrinha por afinidade. Como eu me mostrasse duvidoso, a forma desapareceu e voltou com a voz e a feição de uma criança de quatro anos, idade em que morrera. Não era um desdobramento, porquanto o médium tem sotaque alemão e Berta não. Quanto ao ser uma figurante paga pela Sra. F..., desafio seja quem for que se desmaterialize diante de mim, como Berta se desmaterializou.”

Façamos aqui uma observação importante. Os dois Espíritos que se reportam à sua meninice têm uma estatura e uma aparência diversas das que se lhes conheceram neste mundo. Pode admitir-se sejam estatura e aparência de uma vida anterior à precedente, o que nos conduz à lei geral, ensinada por Allan Kardecde que um Espírito suficientemente adiantado pode assumir, à sua vontade, qualquer dos tipos pelos quais tenha evolvido no curso de suas existências sucessivas. Com essa questão, porém, não temos que nos ocupar, do ponto de vista da identidade, porquanto apenas nos interessa a última forma, a que conhecemos.

Não se deverá concluir do que fica dito que um Espírito farsante não possa disfarçar-se, de maneira a simular uma personagem histórica, mais ou menos fielmente. Claro que a um farsante será possível sempre criar o redingote cinzento e o chapéu de Napoleão, bem como uma auréola e um par de asas, a fim de que o tomem por um anjo. Se, porventura, ele tiver uma vaga parecença com Bonaparte ou com as tradicionais imagens de São José, poderá enganar os inexperientes, os ingénuos, os desprovidos de senso crítico. Esse género de embuste pode mesmo ser empregue por Espíritos pouco escrupulosos no tocante à escolha dos meios para sustentar certas crenças: mas, grande distância vai dessas caricaturas às experiências cientificamente realizadas, como as que temos citado neste livro.

Outra observação também muito importante decorre do estudo das materializações que mostra claramente que não é o Espírito quem cria a forma sob a qual é ele visto: o facto é que os moldes são verdadeiros modelos anatómicos.

Os Espíritos que assim se manifestam confessam muito facilmente que ainda se acham pouco avançados na hierarquia espiritual. Na maioria dos casos, são limitados os seus conhecimentos e não há suposição injustificada ao dizer-se que são muito ignorantes em matéria de ciências naturais. Nessas condições, parece-nos evidente que não poderiam, de modo algum, construir uma forma suficientemente perfeita para revelar o grau de realidade que os moldes nos dão a conhecer. As peças modeladas não são simples esboços mais ou menos bem acabados de um membro qualquer; é da própria Natureza o que se observa, até nos mínimos detalhes. Temos, pois, a prova de que é um verdadeiro organismo que se imprime em substâncias plásticas e não apenas uma imagem, que seria rudimentar, se fosse produzida por um Espírito. Que organismo então é esse? É o que já existe durante a vida, o que produz moldagens idênticas no decurso dos desdobramentos; é, numa palavra, o perispírito, que a morte não destruiu e que persiste com todas as suas virtualidades, pronto a manifestá-las, desde que seja favorável a ocasião.

Imaginando-se, mesmo, que a forma do nosso corpo está impressa, como imagem, na nossa memória latente, o que é possível, não menos verdade é que todos os detalhes anatómicos, saliências das veias, dos músculos, desenhos da epiderme, etc., não podem existir nessa imagem mental, pelo menos quanto às partes do corpo que geralmente se conservam cobertas pelas roupas.

Entretanto, nos desdobramentos materializados de médiuns, sempre que foi possível tomarem-se-lhes impressões ou moldes, se tem reconhecido que o corpo fluídico assim exteriorizado é a reprodução idêntica do organismo material do médium, do seu pé, por exemplo, como foi notado com Eglinton pelo Dr. Carter Blake, ou de sua mão, conforme aconteceu muitas vezes com Eusápia. É o critério que nos permitirá distinguir da materialização de um Espírito um desdobramento. Se a aparição é o sósia do médium, segue-se que a sua alma é que se manifesta fora do seu organismo carnal. No caso contrário, se a aparição difere anatomicamente do médium, quem está presente é outra individualidade.

Esta observação, que fomos os primeiros a fazer, permite se distinga facilmente se o fantasma é a aparição de um ser desencarnado, ou uma bilocação do médium.

Não será talvez supérfluo insistir fortemente nas numerosas provas que apoiam a nossa maneira de ver.

O astrónomo alemão Zoellner afirma que durante uma das suas experiências com Slade, (iv) se produziu a impressão de uma mão fluídica, num vaso cheio de farinha finíssima, com todas as sinuosidades da epiderme distintamente visíveis, não tendo o observador perdido de vista as mãos do médium, que se conservaram sempre sobre a mesa. Aquela mão era maior do que a de Slade. Doutra feita, produziu-se uma impressão durável numa folha de papel enfumarado na chama de uma lâmpada de petróleo. Slade descalçou-se e mostrou que nenhum vestígio havia dos resíduos da fumaça nos seus pés. A impressão tinha quatro centímetros mais do que o pé do médium e parecia a de um pé comprimido por uma bota, porquanto um dos dedos cobria completamente o outro, tornando-o invisível.

O Dr. Wolf, (v) com a médium Sra. Hollis, pode observar uma mão a fazer evoluções rápidas, pousar sobre um prato cheio de farinha e retirar-se depois de sacudir as partículas que lhe ficaram aderentes. “A impressão representava a mão de um homem adulto, com todos os detalhes anatómicos.” Os dedos marcados na farinha eram mais longos, uma polegada, do que os da Sra. Hollis.

O professor Denton, (vi) inventor do processo de moldagem na parafina, obteve, na primeira sessão com a Sra. Hardy, entre quinze a vinte moldes de dedos de todos os tamanhos. Na maioria dessas formas, notadamente nas maiores ou nas que mais se aproximavam, pelas suas dimensões, dos dedos do médium, ressaltavam nítidos todas as linhas, sulcos e relevos que se notam nos dedos humanos. Uma comissão de sete membros assinou uma acta onde se encontra consignado o seguinte: dentro de uma caixa fechada, produziu-se, pela acção inteligente de uma força desconhecida, o molde exacto de uma mão humana de tamanho natural. O escultor O'Brien, perito em moldagens, examinou sete dos modelos em gesso e os considerou de maravilhosa execução, reproduzindo todas as particularidades anatómicas, assim como as desigualdades da pele, com tão grande pormenor, como a que se obtém na modelagem de um membro, mas com molde constituído de diferentes pedaços, ao passo que os modelos submetidos ao seu exame não apresentavam qualquer vestígio de soldadura, parecendo-lhe resultantes de moldes sem samblagens.

Esse relatório assinala que uma dessas moldagens das mãos “se assemelha singularmente, na forma e no tamanho”, a uma modelagem da mão de um Sr. Henri Wilson, examinada por O'Brien, pouco tempo depois da sua morte, de cujo rosto ele fora fazer a moldagem em gesso. Aí a conservação da forma fluídica se revela materialmente, constituindo uma boa prova da imortalidade.

Numa sessão em casa do Dr. Nichols, com Eglinton, através de um molde de mão de criança foi esta reconhecida, graças a uma ligeira deformidade característica, reproduzida no molde.

O Dr. Nichols reconheceu sem hesitar a mão de sua filha, obtida pelo mesmo processo.

“Esta mão – diz ele – nada tem da forma convencional que os estatuários criam. É uma mão absolutamente natural, anatomicamente correcta, mostrando todos os ossos, todas as veias, todas as menores sinuosidades da pele. É exactamente a mão que eu conhecia, que eu tão bem conheci durante a sua existência corporal, que eu tantas vezes toquei, quando se apresentava materializada.”

Nas experiências dos Srs. Reimers e Oxley, a materialização chamada Bertie deu duas mãos direitas e três esquerdas – todas em posições diferentes, o que não impediu que as linhas e os pregueados fossem idênticos em todos os exemplares. As mãos pertencem indubitavelmente à mesma pessoa. As moldagens das mãos do médium diferem totalmente, quer como forma, quer nas dimensões, das de Bertie. Com o médium Monck, a mesma Bertie também deu os moldes de suas duas mãos, os quais são idênticos aos obtidos com a primeira médium, Sra. Firman, o que estabelece, de modo perfeito, a identidade do Espírito. O Espírito Lily variava de tamanho; ora a sua estatura não ultrapassava a de uma criança bem conformada, ora apresentava as dimensões da de uma rapariga.

“Creio – diz o Sr. Oxley – que ela não apareceu duas vezes sob formas absolutamente idênticas; eu, porém, a reconhecia sempre e nunca a confundi com as outras aparições.”

Poderíamos multiplicar estes depoimentos segundo os quais o Espírito tem um organismo, que ele não forma na ocasião e para os fins da experiência; vamos, porém, ver outras provas. Sabemos que a aparição de Katie King se assemelha inteiramente a uma pessoa natural. Temos sobre esse ponto o testemunho formal de William Crookes. Nas materializações completas é o que sempre se dá. Alfred Russel Wallace, numa carta ao Sr. Erny escreve:

“Algumas vezes, a forma materializada parece uma simples máscara, incapaz de falar e de se tornar tangível a um ser humano. Noutras circunstâncias, a forma tem todos os característicos de um corpo vivo e real, podendo mover-se, falar, mesmo escrever e revelando calor ao tacto. Tem, sobretudo, individualidade e qualidades físicas e mentais totalmente diversas das do médium.”

Numa sessão em Liverpool, com um médium não profissional, o Sr. Burns viu aproximar-se de si um Espírito que com ele estivera relacionado durante longo tempo.

“Apertou-me a mão – diz Burns – com tanta força que ouvi o estalido de uma das articulações dos seus dedos, como só acontece quando se aperta fortemente uma mão. Esse facto anatómico foi corroborado pela sensação que eu experimentava de estar segurando uma mão perfeitamente natural.”

Fazia parte desse círculo de experimentadores o Dr. Hitchman, autor de várias obras de medicina, o qual, numa carta dirigida ao Sr. Aksakof, escreveu: (vii)

“Pelo facto, creio ter adquirido a mais científica certeza, que seja possível obter-se, de que cada uma dessas formas que apareceram era uma individualidade distinta do envoltório material do médium, porquanto, tendo-as examinado com o auxílio de diversos instrumentos, comprovei nelas a existência da respiração e da circulação; medi-lhes a forma, a circunferência do corpo, tomei-lhes o peso, etc.”

Pensa o autor que esses seres têm uma realidade objectiva, mas que a aparência corpórea deles é de natureza diferente da “forma material” que caracteriza a nossa forma terrestre. Depois dessa época, os numerosíssimos fenómenos de telepatia projectaram luz sobre essas aparições cujos caracteres pareciam verdadeiramente sobrenaturais, porém que, melhor conhecidos, podem ser, se não explicados completamente, pelo menos logicamente concebidos.

Reflicta-se por um instante que o duplo de um vivo, logo que saído do seu corpo, é um Espírito, como o será depois da morte; que as suas manifestações físicas e intelectuais são idênticas às que um Espírito desencarnado pode produzir, e ver-se-à que as moldagens constituem prova absoluta da imortalidade.

Logo, no estado actual dos nossos conhecimentos, cremos que a identidade de um Espírito se encontra perfeitamente estabelecida quando ele se mostra a actuar, materializado numa forma idêntica à que teve outrora o seu corpo físico.

É o caso de Estela Livermore e de muitos outros Espíritos que foram identificados de modo a não deixar que subsistisse qualquer dúvida.

Examinando minuciosamente, nas obras originais, os factos mencionados acima e sem formular hipótese, parece-nos que as seguintes conclusões se impõem logicamente:

1º) que os Espíritos têm um organismo fluídico;

2º) que, quando esse corpo fluídico se materializa, reproduz fielmente um corpo físico que o Espírito revestiu durante certo período da sua vida terrestre;

3º) que nenhuma experiência ainda demonstrou que o grau de variação dessa forma possa ir ao ponto de reproduzir outra forma inteiramente distinta daquela sob a qual ela se mostra espontaneamente. Se alguma variação se opera, não passa de uma diferença para mais ou para menos do mesmo tipo;

4º) que, estabelecido, como se acha, experimentalmente, pela fotografia, pelas moldagens, pelas mais variadas acções físicas, que aquele organismo existe nos vivos, pode, por efeito de rigorosa dedução, afirmar-se a sua existência depois da morte, uma vez que ela se nos impõe pelos mesmos factos que a têm positivado com relação aos vivos;

5º) logo, até prova em contrário, a aparição de um Espírito que fala e se desloca no espaço, que se pode reconhecer como sendo uma pessoa que viveu na Terra é prova excelente de sua identidade.

/...
(i) Animismo e Espiritismo, págs. 622 e seguintes.
(ii) Veja-se, na segunda parte desta obra, Capítulo I, o tópico “Materialização de um desdobramento”.
(iii) Alfred Erny, O psiquismo experimental, cap. V, Formas materializadas.
(iv) Zoellner, Wissenschaftliche Abhandlungen, volume II.
(v) Dr. Wolf, Starlings facts, pág. 481.
(vi) The Spiritualist, 1876, t. I, pág. 146.
(vii) Animismo e Espiritismo, pág. 22.


Gabriel DelanneA Alma é Imortal, Terceira parte – O Espiritismo e a ciência; Capítulo IV Discussão em torno dos fenómenos de materialização – Estudo sobre a identidade dos Espíritos, 17º fragmento da obra.
(imagem de contextualização: Pitágoras, pormenor d'A escola de Atenas de Rafael Sanzio (1509)

domingo, 18 de junho de 2023

Saberes e o tempo ~


Estudo sobre os fluidos ~~ 

É tão importante a demonstração da existência dos fluidos, para a compreensão dos fenómenos espirituais, que devemos examinar esse problema sob todos os seus aspectos. A experiência espírita há demonstrado que a alma se encontra revestida de um envoltório material, mas invisível e intangível no estado normal e, que se move num meio físico que carece de peso. Urge, pois, apresentemos todas as razões que tendem a provar o facto capital da existência de um mundo imponderável, porém tão real como o em que vivemos. 

Acreditava-se, outrora, que a luz, a electricidade, o calor, o magnetismo, etc., eram substâncias inteiramente distintas umas das outras, dotadas de natureza própria, especial, que as diferençavam completamente. As pesquisas contemporâneas demonstraram falsa tal concepção. 

Nas primeiras idades da ciência, não só parecia que as forças eram separadas, mas também que o número delas se multiplicava ao infinito. Considerava-se cada fenómeno como a manifestação de uma certa força. Entretanto, pouco a pouco se reconheceu que efeitos diferentes podem derivar de uma causa única. Desde então, diminuiu consideravelmente o número das forças, cuja existência se admitia. Newton identificou a gravidade e a atracção, reconhecendo na queda da maçã e na manutenção do astro em sua órbita, efeitos de uma mesma causa: a gravitação universal. Ampère demonstrou que o magnetismo é apenas uma forma da electricidade. A luz e o calor, desde longo tempo, são tidos como manifestações de uma mesma causa: um movimento vibratório extremamente rápido do éter. 

Nos dias actuais, uma grandiosa concepção veio mudar de novo a face à ciência: a de que todas as forças da Natureza se reduzem a uma só. A energia ou a força (são sinónimos os dois termos) pode assumir todas as aparências, sendo, alternativamente, calor, trabalho mecânico, electricidade, luz e dar origem às combinações e decomposições químicas. Às vezes, a força como que se encontra oculta ou destruída. Simples aparência. Pode-se sempre encontrá-la novamente e fazê-la passar de novo pelo ciclo de suas transformações. 

Inseparável da matéria, a força é indestrutível, fazendo-se mister que à energia se aplique este princípio: na Natureza, nada se perde, nem se cria. 

É tão verdade isto, que, quando um movimento sofre brusca interrupção, imediatamente uma coisa nova aparece: é o calor. Assim, um pedaço de chumbo, colocado na bigorna, se aquecerá violentamente sob os golpes do martelo do ferreiro; uma bala de artilharia, batendo num alvo de ferro, poderá chegar à temperatura do rubro; as rodas de um comboio em marcha despedem centelhas, quando se accionam subitamente os freios. Se o movimento da Terra em torno do Sol cessasse instantaneamente, diz Helmholtz que a quantidade de calor gerado por esse facto seria tal, que faria passar ao estado de vapor toda a massa terrestre. 

Temos, portanto, que calor e movimento são duas formas equivalentes da energia, formas que mutuamente se substituem, tornando-se visível uma, quando a outra desaparece. Determinou-se exactamente a que quantidade de calor corresponde uma certa quantidade de movimento, medida a que se dá o nome de equivalente mecânico do calor

Torna-se então fácil de compreender que aquecer um corpo é aumentar-lhe o movimento interno, isto é, o das suas moléculas. Sabemos que, desde o átomo invisível até o corpo celeste perdido no espaço, tudo se encontra sujeito ao movimento. Tudo gravita numa órbita imensa ou infinitamente pequena. Mantidas a uma distância definida umas das outras, em virtude do próprio movimento que as anima, as moléculas guardam entre si relações constantes, que só se alteram pela adição ou subtracção de certa quantidade de movimento. Em geral, a aceleração do movimento das moléculas aumenta-lhes as órbitas e afasta-as umas das outras, ou, por outras palavras, aumenta o volume dos corpos. É justamente por isso que o calor se apresenta como fonte de movimento

Sob sua influência, as moléculas, afastando-se cada vez mais, fazem que os corpos passem do estado sólido ao líquido, em seguida ao de gás. Os gases, a seu turno, se dilatam indefinidamente, pela adição de novas quantidades de calor, isto é – de movimento – e, se se criar embaraço a essa expansão, ele exercerá considerável pressão sobre as paredes do vaso que o contenha. É assim que as moléculas dos gases ou dos vapores, em cativeiro nos cilindros das locomotivas, transmitem ao êmbolo a força que se emprega para produzir a tracção dos comboios, isto é, trabalho mecânico

Quando, pois, os movimentos moleculares de um corpo se mostrem agrupados de maneira a apresentar, uns com relações aos outros, centros fixos de orientação, diremos que esse corpo é sólido; 

Quando os movimentos moleculares de um corpo estejam agrupados de maneira que os centros desses grupos sejam móveis, uns com relação aos outros, o corpo é líquido; 

Quando as moléculas de um corpo se movem em todos os sentidos e colidem umas com as outras milhões de vezes por segundo, o corpo é chamado gás. (i) 

Convém notar que, à proporção que a matéria passa do estado sólido ao estado líquido, o volume aumenta; depois, do estado líquido ao gasoso, a dilatação do mesmo peso de matéria se torna ainda maior, de sorte que a matéria se rarefaz, ao mesmo tempo em que o movimento molecular se pronuncia. Um litro d’água, por exemplo, dá 1.700 litros de vapor, isto é, ocupa um volume 1.700 vezes superior ao que tinha no estado líquido; nessas condições, as atracções mútuas entre as moléculas diminuem e o movimento oscilatório das mesmas moléculas se torna mais rápido. 

Com efeito, segundo cálculos de probabilidades, (ii) os sábios chegaram a admitir que se pode considerar constante a velocidade média das moléculas para um mesmo gás, qualquer que seja a direcção do caminho percorrido. O valor dessa velocidade média, por segundo, à temperatura do gelo em fusão, isto é, a 0º e, à pressão barométrica de 760 mm, é de: 

461      metros para as moléculas do oxigénio; 
485      para as do ar; 
492      para as do azoto;
1.848   para as do hidrogénio. 

Tais velocidades são comparáveis à de um projéctil à saída de uma arma de grande alcance. A velocidade das moléculas é tanto maior, quanto mais leve é o gás, isto é, quanto menos matéria contém na unidade de volume. Logo, se num tubo fechado se fizer o vácuo tão perfeito quanto possível e se obrigarem as moléculas restantes a mover-se em linha recta, por meio da electricidade, obter-se-á o estado radiante que Crookes descobriu. 

Como muito se fala desse estado especial, expliquemos claramente em que ele consiste. 

Sabemos que os gases se compõem de um número indefinido de particulazinhas em incessante movimento e animadas, conforme a sua natureza, de velocidades de todas as grandezas. 

 Sabemos igualmente que, em consequência do número imenso, essas partículas não podem mover-se em nenhuma direcção, sem se chocarem, quase imediatamente, com outras partículas. 

Que se dará se, de um vaso fechado, se retirar grande parte do gás ali encerrado? É claro que, quanto mais diminuir o número das moléculas do gás, tanto menos oportunidade terão as que restarem de chocar-se umas com as outras. Pode-se, pois, induzir que, num vaso fechado, onde se faça cada vez maior vazio, crescerá a distância que qualquer molécula poderá percorrer, sem se chocar com outras. Teoricamente, o comprimento do percurso livre, isto é, o comprimento da distância que uma molécula qualquer poderá percorrer, sem colidir com outra, estará na razão inversa das moléculas restantes, ou, o que vem a dar no mesmo, na razão directa do vácuo produzido. 

Como, no estado gasoso ordinário, as moléculas se encontram em colisão contínua umas com as outras; como essa colisão contínua é precisamente o que determina as propriedades físicas do gás, segue-se que, se as moléculas percorrem espaços maiores sem se chocarem, dessa diferença na maneira de se comportarem, hão de decorrer propriedades físicas diferentes e, por conseguinte, um estado novo para a matériaO quarto estado será tão distante do estado gasoso, quanto este o é do estado líquido. Foi o que Crookes experimentalmente demonstrou. 

Aqui se acusa nitidamente a lei que assinalamos, segundo a qual quanto mais rarefeita é a matéria, tanto mais rápido é o movimento molecular. É tal a velocidade destas últimas partículas da matéria, que os metais mais refractários, submetidos ao bombardeamento das moléculas, não tardam a tornar-se rubros e mesmo a fundir-se, se a acção for suficientemente prolongada. Nesse estado, a matéria, se bem que excessivamente rara, ainda tem um peso apreciável, não por meio da balança, mas por meio do raciocínio. O vácuo produzido é tal, que, se supusermos a pressão barométrica ordinária, representada por uma coluna de mercúrio da altura de 4.800 metros, a pressão da matéria radiante não poderá equilibrar mais de um quarto de milímetro de mercúrio! Ela ainda tem peso, o que explica que conserva as suas propriedades químicas, porquanto não há dissociação. 

Mas, se acompanharmos a ciência nas suas induções, ser-nos-á possível conceber um estado em que a matéria se ache tão rarefeita que o seu movimento molecular a liberte da atracção terrestre. É o éter dos físicos que primeiro realiza essa concepção. Para serem compreensíveis os diversos aspectos da energia, imaginou-se o Universo cheio de uma substância imponderável, perfeitamente elástica, a qual, graças à sua subtileza, penetraria todos os corpos. Conforme vibre mais ou menos rapidamente, essa matéria dá lugar aos fenómenos que para nós se traduzem em sensações de calor, sendo as mais lentas as vibrações; de electricidade, se forem as mais rápidas; de raios obscuros, se for actividade química; finalmente, às vibrações excessivamente rápidas da luz visível e invisível. 

Será aí, porém, o limite extremo que não se possa ultrapassar nas pesquisas? Não, pois sabemos, pelas experiências espíritas, que os Espíritos possuem corpos fluídicos, que nenhuma das formas da energia pode influenciar. Nem os frios intensos dos espaços interplanetários, que chegam a 273 graus abaixo de zero, nem a temperatura de muitos milhares de graus dos sóis quaisquer influências exercem sobre a matéria perispirítica. É que esse invólucro da alma procede do fluido cósmico universal, isto é, da substância na sua forma primitiva. Nenhuma mudança poderá atingi-la; ela, na sua essência, é imutável. Não se encontra sujeita às decomposições, por não poder simplificar-se, uma vez que se encontra no estado inicial, último tempo a que hão de fatalmente ir ter todas as mutações. Mesclam mais ou menos o perispírito os fluidos do planeta a que o Espírito se encontra ligado. O trabalho da alma consiste justamente em desembaraçar o seu corpo fluídico de todas as escórias que se lhe agregaram, desde a origem da sua evolução. 

Entre esse estado perfeito – em que o mínimo de matéria é animado do máximo de força viva – e o estado sólido a 273° – em que o máximo de matéria contém o mínimo de movimentos vibratórios – há uma infinidade de graus que formam a escala de todas as modalidades possíveis da matéria. Estamos, pois, cientificamente autorizados a dizer que os fluidos não são simples criações da imaginação; que eles correspondem, no mundo físico, a realidades positivas, a estados ainda não descobertos, mas que a matéria radiante, os raios X, o fluido que impressiona as chapas fotográficas e o éter nos animam a conceber como existentes de facto. Não é de duvidar-se que pesquisas ulteriores farão se descubram mais tarde essas modificações tão variadas dos estados da substância primitiva, à medida que se aperfeiçoem os nossos meios de investigação e que a ciência voltar os seus olhos para o invisível e para o imaterial, em vez de se acantonar por sistema no domínio grosseiramente tangível e cujo território é tão limitado. 

Aliás, a força da evolução obriga fatalmente os retardatários a abrirem o intelecto às novas concepções. A fotografia do invisível, quer opere nas insondáveis profundezas da extensão, quer penetre no interior das substâncias opacas, patenteia ao espírito possibilidades que, há alguns anos apenas, seriam tachadas de utopias supersticiosas. Faz-se mister que a humanidade se liberte das enervantes afirmações dos materialistas. Soou a hora em que tem de cair o véu que tolhia a visão clara da Natureza. 

Apesar das mais extravagantes teorias, forjadas para explicarem os fenómenos espíritas sem a intervenção dos Espíritos, a verdade se evidencia de maneira esplêndida. Sim, temos uma alma imortal. Sim, as vidas sucessivas na Terra e no espaço são simples trechos do interminável caminho do progresso e todos nos encontramos em marcha para altos destinos. O sentimento da imortalidade, que sempre se manifestou em todas as idades do género humano, que se atestou, de modo tangível, em todas as épocas, por manifestações semelhantes às que hoje observamos, está prestes, enfim, a receber a sua explicação científica. Esplenderá então a moral sublime da solidariedade, da fraternidade e do amor, forçosa consequência das vidas sucessivas e da identidade de origem e de destino. Por termos o sentimento vivo de que soou a hora em que a ciência há de unir-se à revelação, é que todos os esforços empregam por trazer a nossa pedra ao edifício. Para todos os espíritos independentes, que se não achem cegos por ideias preconcebidas, são fora de dúvida que as descobertas contemporâneas acarretam firmes apoios ao espiritualismo. 

As especulações precedentes sobre a matéria no estado sólido, líquido ou gasoso justificam-se plenamente, como é fácil ver-se. Dado que, verdadeiramente, os gases são formados de átomos a moverem-se em todos os sentidos com prodigiosa rapidez, é claro que, resfriando-se esses gases, isto é, reduzindo-se-lhes o movimento, as suas moléculas se aproximarão. Se, ao demais, ajudarmos essa concentração por meio de pressões enérgicas, o gás há de passar ao estado líquido e de, afinal, solidificar-se, quando as suas moléculas possam exercer as mútuas atracções. É precisamente o que se dá. 

Só ultimamente se chegou a comprovar esses resultados que a teoria fazia prever. Assim é que o Senhor Cailletet mostrou que o oxigénio se liquefaz a 29 graus abaixo de zero, sob uma pressão de 300 atmosferas, ou, então, conforme o Sr. Wroblewski o determinou, sob a pressão de uma atmosfera, mas fazendo-se descer a temperatura a 184 graus abaixo de zero. O ar que respiramos se torna líquido, quando a temperatura é de 192 graus abaixo de zero. A dois graus de menos, também o azoto se torna líquido. De sorte que, se o Sol se extinguisse, isto é, se deixasse de nos dar o calor que mantém todos os corpos terrestres no estado actual, a Terra seria inabitável, porquanto o ar provavelmente se solidificaria, bem como o hidrogénio e todos os gases; já não haveria atmosfera e um frio mortal substituiria a animação e a vida. 

Incontestavelmente, reina continuidade em todas as manifestações da matéria e da energia. Todos os estados, tão diversos, das substâncias se ligam entre si por estreitos laços; não há barreira intransponível a separar os gases impalpáveis das matérias mais duras ou mais refractárias. Na realidade, uma continuidade existe perfeita nos estados físicos, que podem passar de um ao outro por gradações tão suaves, que racionalmente podem ser considerados formas amplamente espaçadas de um mesmo estado material. Tanto mais exacto isto é, quanto nenhum estado material possui qualquer propriedade essencial de que os outros não partilhem. 

Os sólidos, sob fortes pressões, se escoam como os líquidos e, os gases podem comportar-se como corpos sólidos pouco compressíveis. O Sr. Tresca, submetendo o chumbo a uma pressão de 130 quilogramas por centímetro quadrado, fez correr dele um veio líquido, qual se estivesse fundido. O Sr. Daubrée (iii) produziu erosões e arrancamentos em blocos de aço, pela força de gases violentamente comprimidos. O efeito foi semelhante ao que teria produzido o choque de um buril de aço energicamente accionado. 

Urge se compreenda que a grandeza do efeito que um corpo produz está longe de corresponder ao peso desse corpo. Assim, uma quantidade extremamente fraca de gás, diz o Sr. Daubrée, falando da dinamite, produz efeitos verdadeiramente assombrosos. O peso de um quilograma e meio de gás, actuando sobre um prisma de aço de 134 centímetros quadrados (o que corresponde ao peso de 162 miligramas por milímetro quadrado), produz nele, a par de diferentes escavações na superfície, o seguinte: 

1º) Rupturas, que somente pressões de um milhão de quilogramas seriam capazes de produzir, isto é, a pressão de um peso 600 mil vezes maior do que o do gás causador de tais despedaçamentos;

2º) Esmagamentos, que não podem corresponder a menos de 300 atmosferas. 

Postas em confronto com efeitos mecânicos determinados pelo raio, mostram essas experiências que as mais altas formas da energia se encontram sempre ligadas à matéria cada vez mais rarefeita

É, pois, por indução absolutamente legítima que acreditamos na existência dos fluidos, isto é, de estados materiais em que a força viva das moléculas ou dos átomos aumenta sem cessar, até ao estado primitivo, que se caracterizará pelo máximo de força viva no mínimo de matéria. Entre a matéria sólida e o fluido universal, depara-se com uma imensa série graduada de transições insensíveis, em que o movimento molecular vai em constante crescendo. Pode resumir-se no quadro seguinte tudo o que acabamos de examinar:

Na unidade de volume máximo de matéria, ligada ao mínimo de força viva, limite absoluto: 273º abaixo de zero.

Matéria no estado sólido.

· Minerais, metais, sais, etc.

· Orientação fixa dos agrupamentos moleculares, uns com relação aos outros.

· Oscilações restritas e movimentos de vibração das moléculas.

Matéria no estado líquido.

· A água, o vinho, o álcool, etc.

· Orientação móvel dos agrupamentos moleculares uns com relação aos outros.

· Oscilações lentas, mas começo do movimento de rotação das moléculas sobre si mesmas.

Matéria no estado gasoso.

· O ar, o hidrogénio, o oxigénio, etc.

· Movimentos rápidos de translação das moléculas em todas as direcções, acompanhadas de uma rotação mais pronunciada, à medida que a matéria se rarefaz.

Matéria no estado etéreo imponderável.

· Manifestando-se pelos fenómenos caloríficos, luminosos, eléctricos. vitais, etc.

· Movimentos de translação, mais rápidos do que no estado precedente; movimento rotatório dos átomos, desenvolvendo uma força centrífuga, que contrabalança a acção da gravitação.

Matéria no estado fluídico.

· Todos os fluidos do mundo espiritual. Caracterizados por movimentos cada vez mais rápidos das moléculas e dos átomos. Sempre imponderáveis.

Na unidade do volume: máximo de força viva com o mínimo de matéria.

Matéria no estado cósmico ou primordial.

· Máximo de movimentos atómicos. A matéria está no seu ponto extremo de rarefacção. Acha-se no estado inicial e contém, em potência, todos os estados enumerados acima.

/... 

(i) Jouffret, na Introdução à teoria da Energia, à pág. 67, diz: 
Calculou-se que, a uma pressão barométrica de 760 milímetros, o número médio dos choques, entre as moléculas gasosas, seria: 
1º – Para o oxigénio, por segundo, 2.065 milhões.
2º – Para o ar, por segundo, 4.760 milhões.
3º – Para o azoto, por segundo, 4.760 milhões.
4º – Para o hidrogénio, por segundo, 9.480 milhões.
Se a pressão barométrica fosse cem vezes menor, isto é, igual a 0m,0076, vácuo que apenas as melhores máquinas pneumáticas produzem, a média de percurso livre se tornaria cem mil vezes maior, isto é, igual a cerca de um centímetro; o número dos choques não seria mais do que 4.700 por segundo.
(ii) Deleveau, A Matéria, pág. 77., Briot, Teoria mecânica do calor, pág. 143.(iii) Resenhas, 9 de junho de 1883.


Gabriel Delanne, A Alma é Imortal, Terceira parte – O Espiritismo e a ciência; Capítulo III – Estudo sobre os fluidos, 12º fragmento desta obra.
(imagem de contextualização: Pitágoras, pormenor d'A escola de Atenas de Rafael Sanzio (1509)