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segunda-feira, 7 de abril de 2025

Saberes e o tempo ~


Estudo sobre a identidade dos Espíritos ~

(in Discussão em torno dos fenómenos de materialização)

Na sábia e conscienciosa obra que Alexandre Aksakof consagrou à refutação das teorias do filósofo Hartmann, depara-se-nos a seguinte conclusão:

“Tendo adquirido por laboriosa senda a convicção de que o princípio individual sobrevive à dissolução do corpo e pode, sob certas condições, manifestar-se de novo por intermédio de um corpo humano, acessível a influências desse género, a prova absoluta da identidade do indivíduo resulta impossível.”

Rendemos sincera admiração e profundo respeito ao sábio russo que revelou, na sua obra, espírito tão sagaz, quanto penetrante. O seu livro é uma das mais preciosas colectâneas de fenómenos bem estudados, onde os espíritas encontram armas decisivas para sustentar a luta contra os seus adversários. Mas, não podemos adoptar todas as suas ideias, por se nos afigurar que o seu propósito, de se manter estritamente nos limites que lhe eram impostos na sua discussão com Hartmann, o fez restringir demasiadamente o carácter de certeza que ressalta da experimentação espírita. Não haverá contradição entre a primeira e a segunda parte da citação acima? Como se pode adquirir “a convicção de que o princípio individual sobrevive”, se não se pode estabelecer a identidade dos seres que se manifestam? Concluindo-se que, colectivamente, todos os humanos sobrevivem, será impossível ter-se particular certeza, em relação a um deles? Examinemos os argumentos em que se baseou o Sr. Aksakof para chegar àquela desoladora conclusão.

Segundo o autor, (i) a presença de uma forma materializada, comprovada pela fotografia, ou nas sessões de materialização, não bastaria para lhe atestar a identidade, como, aliás, também não bastaria o conteúdo intelectual das comunicações. Eis porquê:

“Não me resta mais do que formular o último desideratum, relativamente à prova de identidade fornecida pela materialização, e é que essa prova – do mesmo modo que o exigimos no tocante às comunicações intelectuais e à fotografia transcendental – seja dada na ausência de qualquer pessoa que possa reconhecer a figura materializada. Creio que se poderiam encontrar muitos exemplos desse género nos anais das materializações. Mas, a questão é esta: dado o facto, poderia ele servir de prova absoluta? Evidentemente, não, porque, admitindo que um Espírito se pode manifestar dessa maneira, possível lhe é, e o ipso, prevalecer-se dos atributos de personalidade doutro Espírito e personificá-lo na ausência de quem quer que seja capaz de reconhecê-lo. Tal mascarada seria completamente insípida, visto que absolutamente nenhuma razão de ser teria. Do ponto de vista, porém, da crítica, não poderia ser ilógica a sua possibilidade.”

Parece que Alexandre Aksakof admite como demonstrado que um Espírito pode mostrar-se sob qualquer forma, que lhe apeteça tomar, a fim de representar a sua própria personagem. Ora, isso é o que justamente seria necessário firmar, por meio de factos numerosos e precisos. Se consultarmos os milhões de casos em que o Espírito de um vivo se tornou visível, verificaremos que o duplo é sempre a reprodução rigorosamente fiel do corpo, atingindo essa identidade todas as partes do seu organismo, como o prova irrefutavelmente a modelagem do pé fluídico de William Eglinton, do qual falamos no capítulo anterior. (ii)

– Quando o duplo inteiro de Eglinton se materializa, assemelha-se a tal ponto ao seu corpo físico, que é necessário ver-se o médium adormecido na sua cadeira, para se ficar convencido de que ele não está no lugar onde se encontra a aparição. – Quando a Sra. Fay se mostra entre as duas metades da cortina, com as suas vestes e o seu rosto, perfeitamente semelhantes aos do seu corpo físico, com os mesmos traços fisionómicos, cor dos olhos, do cabelo, da pele, torna-se necessário que a corrente eléctrica lhe atravesse o organismo carnal, para se ter a certeza de não ser este o que se está a ver.

“Vi – diz o Sr. Brackett, (iii) experimentador muito céptico e muito prudente –, centenas de formas materializadas e, em muitos casos, o duplo fluídico do médium assemelhando-se-lhe tanto, que eu teria jurado ser o próprio médiumse não visse o mesmo duplo desmaterializar-se diante de mim e não houvesse, logo após, comprovado que o médium se conservava adormecido.”

Não acreditamos que possa alguém citar um único exemplo de haver um duplo de vivo mudado o seu tipo, exclusivamente por vontade própria. Ao contrário, da observação das aparições espontâneas, tanto quanto das obtidas pela experiência, resulta que, se nenhuma influência exterior for exercida, o Espírito se mostra sempre sob a forma corpórea que lhe caracteriza a personalidade. Dar-se-à tenha ele, depois da morte, um poder que lhe faltava em vida? Poderia o Espírito dar ao seu corpo espiritual forma idêntica à de outro Espírito, de maneira a ser o sósia deste? É o que vamos examinar.

À primeira vista, parece que o fenómeno da transfiguração confirma a opinião de que o Espírito pode mudar de forma. Mas, será mesmo assim? Na realidade, o paciente é inteiramente passivo. Não é, pois, consciente ou voluntariamente que modifica o seu próprio aspecto. Ele sofre uma influência estranha, que substitui pela sua aparência a do médium, pois que, geralmente, este não conhece o Espírito que sobre ele actua. Não se pode, portanto, pretender que o Espírito de um médium seja capaz – e o ipso – de se transformar. Em nenhum caso foi isso ainda demonstrado e a substituição de forma bem se pode atribuir a outro Espírito, visto que, quando o desdobramento se produz de modo espontâneo, a forma do Espírito é sempre a do corpo.

Estudemos agora os casos em que a aparição é manifestamente diferente do médium e do seu duplo.

Porventura já se comprovou que um Espírito, tendo-se mostrado sob uma forma bem definida, tenha mudado de aspecto diante dos espectadores, assumindo outra inteiramente diversa da primeira? Jamais semelhante fenómeno se produziu. A única observação, do nosso conhecimento, que tem alguma relação com este assunto, é a que relata o Sr. Donald Mac Nab, que conseguiu fotografar e tocar, com os seus seis amigos, a materialização de uma rapariga que reproduziu absolutamente um velho desenho datando de vários séculos, desenho que muito impressionara o médiumNada, porém, prova, nesse exemplo, que essa aparição não seja a da moça representada no desenho, tendo bastado perfeitamente, para atraí-la, o pensamento simpático do médium. Não está, pois, de modo algum estabelecido que seja essa uma transformação do duplo do médium, nem tampouco uma criação fluídica objectivada pelo seu cérebro. O que algumas vezes se tem verificado são modificações na forma, na coloração do semblante, na expressão da fisionomia da aparição. Pode variar muito o grau da sua materialidade e, sendo esta fraca, não acentuar bastante os detalhes da semelhança; mas, o tipo geral não muda. As modificações são as de um mesmo modelo e não chegam para representar outro ser.

Tomemos o exemplo de Katie King. Indubitavelmente, ela não era um desdobramento de Florence Cook, porquanto esta, acordada, conversa durante alguns minutos com Katie e o Sr. Crookes, que as vê a ambas. A independência intelectual do Espírito materializado revela-se aí com toda a clareza, nada tendo de duvidoso com relação ao corpo físico, visto que o Sr. Crookes assinalou as diferenças de forma, de tez, de cabeleira e, o que é mais importante, dos caracteres fisiológicos entre as duas.

“Uma noite, contei as pulsações de Katie. O seu pulso batia regularmente 75 batidas, ao passo que o da Srta. Cook, poucos instantes depois, chegava às 90. Colando o ouvido no peito de Katie, ouvi-lhe o coração bater dentro e os seus batimentos ainda eram mais regulares do que os do coração da Srta. Cook, quando, após a sessão, ela me permitiu a mesma experiência. Auscultados, os pulmões de Katie se revelaram mais sãos do que os da sua médium que, na ocasião em que fiz a minha experiência, estava em tratamento médico devido a um forte resfriado.”

Evidentemente, segundo o que se acaba de ler, Katie não era a figura nem do corpo, nem do duplo do médium. Tinha uma individualidade distinta, se bem que nem sempre aparecesse completa. Numa sessão com Varley, engenheiro-chefe das linhas telegráficas da Inglaterra, estando a médium fiscalizada electricamente, Katie só se mostrou materializada a meio, até à cintura apenas, faltando ou conservando-se invisível o resto do corpo.

“Apertei a mão àquele ser estranho – diz o célebre engenheiro – e, ao terminar a sessão, mandou Katie que eu fosse despertar a médium. Encontrei a Srta. Cook em transe, isto é, adormecida, como eu a deixara, e intactos todos os fios de platina. Despertei-a.”

Segundo Epes Sargent, nos primeiros tempos, apenas se via o rosto; não havia cabelos, nem coisa alguma acima da fronte. Parecia uma máscara animada. Após cinco ou seis meses de sessões, apareceu em forma completa. Esses seres então se condensam mais facilmente e mudam de cabelos, de vestuário, de cor da tez, à vontade. Mas, note-se bem que é sempre o mesmo tipo, nunca uma outra forma.

Neste ponto, torna-se necessário precisemos bastante o que entendemos pelo termo tipo. Quando se comparam fotografias de um indivíduo, tiradas em diversas épocas de sua vida, reconhecem-se grandes diferenças entre as que ele tirou na idade de 15 anos e as que o representam aos 30 anos. Tudo se modificou profundamente. Os cabelos embranqueceram ou rarearam, os traços se acentuaram ou ampliaram; notam-se rugas onde antes só se via plena juvenilidade. Entretanto, com um pouco de atenção, se chega a perceber que essas divergências não são fundamentais, que se encerram dentro de limites definidos, dentro do que constitui, durante a vida toda, a característica da individualidade: o tipo. Podemos perfeitamente conceber que o perispírito seja capaz de reproduzir uma dessas formas, pois que evolveu através delas neste mundo. Essa faculdade de fazer que uma imagem reviva de si mesma assemelha-se a um avivamento de lembranças, o qual evoca uma época passada e a torna presente para a memória. Nada se perde no envoltório fluídico, as formas do ser se fixam nele e podem reaparecer sob o influxo da vontade. Isso se demonstra por meio de alguns exemplos.

Voltemos ao testemunho do Sr. Brackett, citado pelo Sr. Erny.

“Numa sessão de materialização, vi um rapaz de grande estatura dizer-se irmão da senhora que me acompanhava e que lhe replicou: “Como poderia eu reconhecê-lo, se não o vejo desde criança?” Para logo, a figura diminuir de forma pouco a pouco, até chegar à do menino que a senhora conhecera. Observei outros casos do mesmo género, acrescenta Brackett.”

Aqui está outro testemunho seu:

“Uma das formas que aparecem em casa da Sra. F... disse ser Berta, minha sobrinha por afinidade. Como eu me mostrasse duvidoso, a forma desapareceu e voltou com a voz e a feição de uma criança de quatro anos, idade em que morrera. Não era um desdobramento, porquanto o médium tem sotaque alemão e Berta não. Quanto ao ser uma figurante paga pela Sra. F..., desafio seja quem for que se desmaterialize diante de mim, como Berta se desmaterializou.”

Façamos aqui uma observação importante. Os dois Espíritos que se reportam à sua meninice têm uma estatura e uma aparência diversas das que se lhes conheceram neste mundo. Pode admitir-se sejam estatura e aparência de uma vida anterior à precedente, o que nos conduz à lei geral, ensinada por Allan Kardecde que um Espírito suficientemente adiantado pode assumir, à sua vontade, qualquer dos tipos pelos quais tenha evolvido no curso de suas existências sucessivas. Com essa questão, porém, não temos que nos ocupar, do ponto de vista da identidade, porquanto apenas nos interessa a última forma, a que conhecemos.

Não se deverá concluir do que fica dito que um Espírito farsante não possa disfarçar-se, de maneira a simular uma personagem histórica, mais ou menos fielmente. Claro que a um farsante será possível sempre criar o redingote cinzento e o chapéu de Napoleão, bem como uma auréola e um par de asas, a fim de que o tomem por um anjo. Se, porventura, ele tiver uma vaga parecença com Bonaparte ou com as tradicionais imagens de São José, poderá enganar os inexperientes, os ingénuos, os desprovidos de senso crítico. Esse género de embuste pode mesmo ser empregue por Espíritos pouco escrupulosos no tocante à escolha dos meios para sustentar certas crenças: mas, grande distância vai dessas caricaturas às experiências cientificamente realizadas, como as que temos citado neste livro.

Outra observação também muito importante decorre do estudo das materializações que mostra claramente que não é o Espírito quem cria a forma sob a qual é ele visto: o facto é que os moldes são verdadeiros modelos anatómicos.

Os Espíritos que assim se manifestam confessam muito facilmente que ainda se acham pouco avançados na hierarquia espiritual. Na maioria dos casos, são limitados os seus conhecimentos e não há suposição injustificada ao dizer-se que são muito ignorantes em matéria de ciências naturais. Nessas condições, parece-nos evidente que não poderiam, de modo algum, construir uma forma suficientemente perfeita para revelar o grau de realidade que os moldes nos dão a conhecer. As peças modeladas não são simples esboços mais ou menos bem acabados de um membro qualquer; é da própria Natureza o que se observa, até nos mínimos detalhes. Temos, pois, a prova de que é um verdadeiro organismo que se imprime em substâncias plásticas e não apenas uma imagem, que seria rudimentar, se fosse produzida por um Espírito. Que organismo então é esse? É o que já existe durante a vida, o que produz moldagens idênticas no decurso dos desdobramentos; é, numa palavra, o perispírito, que a morte não destruiu e que persiste com todas as suas virtualidades, pronto a manifestá-las, desde que seja favorável a ocasião.

Imaginando-se, mesmo, que a forma do nosso corpo está impressa, como imagem, na nossa memória latente, o que é possível, não menos verdade é que todos os detalhes anatómicos, saliências das veias, dos músculos, desenhos da epiderme, etc., não podem existir nessa imagem mental, pelo menos quanto às partes do corpo que geralmente se conservam cobertas pelas roupas.

Entretanto, nos desdobramentos materializados de médiuns, sempre que foi possível tomarem-se-lhes impressões ou moldes, se tem reconhecido que o corpo fluídico assim exteriorizado é a reprodução idêntica do organismo material do médium, do seu pé, por exemplo, como foi notado com Eglinton pelo Dr. Carter Blake, ou de sua mão, conforme aconteceu muitas vezes com Eusápia. É o critério que nos permitirá distinguir da materialização de um Espírito um desdobramento. Se a aparição é o sósia do médium, segue-se que a sua alma é que se manifesta fora do seu organismo carnal. No caso contrário, se a aparição difere anatomicamente do médium, quem está presente é outra individualidade.

Esta observação, que fomos os primeiros a fazer, permite se distinga facilmente se o fantasma é a aparição de um ser desencarnado, ou uma bilocação do médium.

Não será talvez supérfluo insistir fortemente nas numerosas provas que apoiam a nossa maneira de ver.

O astrónomo alemão Zoellner afirma que durante uma das suas experiências com Slade, (iv) se produziu a impressão de uma mão fluídica, num vaso cheio de farinha finíssima, com todas as sinuosidades da epiderme distintamente visíveis, não tendo o observador perdido de vista as mãos do médium, que se conservaram sempre sobre a mesa. Aquela mão era maior do que a de Slade. Doutra feita, produziu-se uma impressão durável numa folha de papel enfumarado na chama de uma lâmpada de petróleo. Slade descalçou-se e mostrou que nenhum vestígio havia dos resíduos da fumaça nos seus pés. A impressão tinha quatro centímetros mais do que o pé do médium e parecia a de um pé comprimido por uma bota, porquanto um dos dedos cobria completamente o outro, tornando-o invisível.

O Dr. Wolf, (v) com a médium Sra. Hollis, pode observar uma mão a fazer evoluções rápidas, pousar sobre um prato cheio de farinha e retirar-se depois de sacudir as partículas que lhe ficaram aderentes. “A impressão representava a mão de um homem adulto, com todos os detalhes anatómicos.” Os dedos marcados na farinha eram mais longos, uma polegada, do que os da Sra. Hollis.

O professor Denton, (vi) inventor do processo de moldagem na parafina, obteve, na primeira sessão com a Sra. Hardy, entre quinze a vinte moldes de dedos de todos os tamanhos. Na maioria dessas formas, notadamente nas maiores ou nas que mais se aproximavam, pelas suas dimensões, dos dedos do médium, ressaltavam nítidos todas as linhas, sulcos e relevos que se notam nos dedos humanos. Uma comissão de sete membros assinou uma acta onde se encontra consignado o seguinte: dentro de uma caixa fechada, produziu-se, pela acção inteligente de uma força desconhecida, o molde exacto de uma mão humana de tamanho natural. O escultor O'Brien, perito em moldagens, examinou sete dos modelos em gesso e os considerou de maravilhosa execução, reproduzindo todas as particularidades anatómicas, assim como as desigualdades da pele, com tão grande pormenor, como a que se obtém na modelagem de um membro, mas com molde constituído de diferentes pedaços, ao passo que os modelos submetidos ao seu exame não apresentavam qualquer vestígio de soldadura, parecendo-lhe resultantes de moldes sem samblagens.

Esse relatório assinala que uma dessas moldagens das mãos “se assemelha singularmente, na forma e no tamanho”, a uma modelagem da mão de um Sr. Henri Wilson, examinada por O'Brien, pouco tempo depois da sua morte, de cujo rosto ele fora fazer a moldagem em gesso. Aí a conservação da forma fluídica se revela materialmente, constituindo uma boa prova da imortalidade.

Numa sessão em casa do Dr. Nichols, com Eglinton, através de um molde de mão de criança foi esta reconhecida, graças a uma ligeira deformidade característica, reproduzida no molde.

O Dr. Nichols reconheceu sem hesitar a mão de sua filha, obtida pelo mesmo processo.

“Esta mão – diz ele – nada tem da forma convencional que os estatuários criam. É uma mão absolutamente natural, anatomicamente correcta, mostrando todos os ossos, todas as veias, todas as menores sinuosidades da pele. É exactamente a mão que eu conhecia, que eu tão bem conheci durante a sua existência corporal, que eu tantas vezes toquei, quando se apresentava materializada.”

Nas experiências dos Srs. Reimers e Oxley, a materialização chamada Bertie deu duas mãos direitas e três esquerdas – todas em posições diferentes, o que não impediu que as linhas e os pregueados fossem idênticos em todos os exemplares. As mãos pertencem indubitavelmente à mesma pessoa. As moldagens das mãos do médium diferem totalmente, quer como forma, quer nas dimensões, das de Bertie. Com o médium Monck, a mesma Bertie também deu os moldes de suas duas mãos, os quais são idênticos aos obtidos com a primeira médium, Sra. Firman, o que estabelece, de modo perfeito, a identidade do Espírito. O Espírito Lily variava de tamanho; ora a sua estatura não ultrapassava a de uma criança bem conformada, ora apresentava as dimensões da de uma rapariga.

“Creio – diz o Sr. Oxley – que ela não apareceu duas vezes sob formas absolutamente idênticas; eu, porém, a reconhecia sempre e nunca a confundi com as outras aparições.”

Poderíamos multiplicar estes depoimentos segundo os quais o Espírito tem um organismo, que ele não forma na ocasião e para os fins da experiência; vamos, porém, ver outras provas. Sabemos que a aparição de Katie King se assemelha inteiramente a uma pessoa natural. Temos sobre esse ponto o testemunho formal de William Crookes. Nas materializações completas é o que sempre se dá. Alfred Russel Wallace, numa carta ao Sr. Erny escreve:

“Algumas vezes, a forma materializada parece uma simples máscara, incapaz de falar e de se tornar tangível a um ser humano. Noutras circunstâncias, a forma tem todos os característicos de um corpo vivo e real, podendo mover-se, falar, mesmo escrever e revelando calor ao tacto. Tem, sobretudo, individualidade e qualidades físicas e mentais totalmente diversas das do médium.”

Numa sessão em Liverpool, com um médium não profissional, o Sr. Burns viu aproximar-se de si um Espírito que com ele estivera relacionado durante longo tempo.

“Apertou-me a mão – diz Burns – com tanta força que ouvi o estalido de uma das articulações dos seus dedos, como só acontece quando se aperta fortemente uma mão. Esse facto anatómico foi corroborado pela sensação que eu experimentava de estar segurando uma mão perfeitamente natural.”

Fazia parte desse círculo de experimentadores o Dr. Hitchman, autor de várias obras de medicina, o qual, numa carta dirigida ao Sr. Aksakof, escreveu: (vii)

“Pelo facto, creio ter adquirido a mais científica certeza, que seja possível obter-se, de que cada uma dessas formas que apareceram era uma individualidade distinta do envoltório material do médium, porquanto, tendo-as examinado com o auxílio de diversos instrumentos, comprovei nelas a existência da respiração e da circulação; medi-lhes a forma, a circunferência do corpo, tomei-lhes o peso, etc.”

Pensa o autor que esses seres têm uma realidade objectiva, mas que a aparência corpórea deles é de natureza diferente da “forma material” que caracteriza a nossa forma terrestre. Depois dessa época, os numerosíssimos fenómenos de telepatia projectaram luz sobre essas aparições cujos caracteres pareciam verdadeiramente sobrenaturais, porém que, melhor conhecidos, podem ser, se não explicados completamente, pelo menos logicamente concebidos.

Reflicta-se por um instante que o duplo de um vivo, logo que saído do seu corpo, é um Espírito, como o será depois da morte; que as suas manifestações físicas e intelectuais são idênticas às que um Espírito desencarnado pode produzir, e ver-se-à que as moldagens constituem prova absoluta da imortalidade.

Logo, no estado actual dos nossos conhecimentos, cremos que a identidade de um Espírito se encontra perfeitamente estabelecida quando ele se mostra a actuar, materializado numa forma idêntica à que teve outrora o seu corpo físico.

É o caso de Estela Livermore e de muitos outros Espíritos que foram identificados de modo a não deixar que subsistisse qualquer dúvida.

Examinando minuciosamente, nas obras originais, os factos mencionados acima e sem formular hipótese, parece-nos que as seguintes conclusões se impõem logicamente:

1º) que os Espíritos têm um organismo fluídico;

2º) que, quando esse corpo fluídico se materializa, reproduz fielmente um corpo físico que o Espírito revestiu durante certo período da sua vida terrestre;

3º) que nenhuma experiência ainda demonstrou que o grau de variação dessa forma possa ir ao ponto de reproduzir outra forma inteiramente distinta daquela sob a qual ela se mostra espontaneamente. Se alguma variação se opera, não passa de uma diferença para mais ou para menos do mesmo tipo;

4º) que, estabelecido, como se acha, experimentalmente, pela fotografia, pelas moldagens, pelas mais variadas acções físicas, que aquele organismo existe nos vivos, pode, por efeito de rigorosa dedução, afirmar-se a sua existência depois da morte, uma vez que ela se nos impõe pelos mesmos factos que a têm positivado com relação aos vivos;

5º) logo, até prova em contrário, a aparição de um Espírito que fala e se desloca no espaço, que se pode reconhecer como sendo uma pessoa que viveu na Terra é prova excelente de sua identidade.

/...
(i) Animismo e Espiritismo, págs. 622 e seguintes.
(ii) Veja-se, na segunda parte desta obra, Capítulo I, o tópico “Materialização de um desdobramento”.
(iii) Alfred Erny, O psiquismo experimental, cap. V, Formas materializadas.
(iv) Zoellner, Wissenschaftliche Abhandlungen, volume II.
(v) Dr. Wolf, Starlings facts, pág. 481.
(vi) The Spiritualist, 1876, t. I, pág. 146.
(vii) Animismo e Espiritismo, pág. 22.


Gabriel DelanneA Alma é Imortal, Terceira parte – O Espiritismo e a ciência; Capítulo IV Discussão em torno dos fenómenos de materialização – Estudo sobre a identidade dos Espíritos, 17º fragmento da obra.
(imagem de contextualização: Pitágoras, pormenor d'A escola de Atenas de Rafael Sanzio (1509)

domingo, 26 de fevereiro de 2023

pensamento espírita argentino ~


CAPÍTULO I 

Fundamentos científicos da concepção neo-espírita da vida e da história 

Que somos?  
(XI) 

Aksakof, sábio russo, demonstrou na sua valiosa obra Animismo e Espiritismo, refutando Hartmann, que o animismo prova o Espiritismo, sem o qual este não poderia ser explicado; e isto é muito natural, porquanto, para admitir a persistência do espírito depois da morte, havia que deixar assente antes, que o espírito pode actuar, em casos supranormais, sem o auxílio do organismo somático, ter percepções sem órgãos sensoriais, realizar fenómenos de telecinesia, ideoplastia, telepatia, etc., sem o qual haveria uma impossibilidade lógica para admitir o fenómeno propriamente espírita. 

Frank Podmore, inimigo ferrenho que foi do Espiritismo, estabeleceu também a distinção entre fenómenos anímicos e espíritas e reconheceu que as faculdades supranormais do espírito encarnado “demonstram a existência de outro mundo mais elevado, no qual deverão actuar livremente”. 

Gabriel Delanne, nas suas obras Evolução Anímica e O Espiritismo perante a Ciência, amplia a demonstração de Aksakof e demonstra, baseado em observações e experiências científicas, (i) a existência do corpo astral, que serve de intermediário ao espírito para actuar sobre a matéria e construir, sobre o seu modelo, o organismo humano. 

O eminente psiquista, professor Ernesto Bozzano, demonstra, baseando-se nos factos que o Espiritismo científico regista, na sua refutação a René Sudre (ii) e ao professor Richet, que Metapsíquica, como ciência puramente anímica, é insuficiente para explicar todos os fenómenos e manifestações espíritas e o peso de sua lógica é tão esmagador como a evidência dos factos que cita. 

Por sua parte, Camille Flammarion, que dedicou quase toda a sua vida ao estudo do fenomenismo espírita, estabelece na sua magistral obra A Morte e seu Mistério, dentro de uma ordem lógica e rigorosamente científica, a conjugação e continuidade de todos esses fenómenos, que começam no mais rudimentar animismo e se elevam até às manifestações espíritas mais comprobatórias e concludentes. 

Não obstante o peso dos factos, da demonstração que estes implicam e dos argumentos que se aduzem em favor da tese espiritista, os metapsiquistas refractários ao Espiritismo seguem gravitando entre a dúvida e a negação, entre o “poder ser” e o “não ser” e em vez de sujeitar os seus juízos aos factos, sacrificam os factos aos seus conceitos, forçando-os a entrar ora no estreito marco das explicações anímicas, ora no círculo abstracto das hipóteses antiespíritas, filhas da fantasia materialista, como, por exemplo, a da criptomnésia ou memória ancestral, para explicar alguns fenómenos de xenoglossia que não se encaixam no reduzido marco da explicação estritamente anímica; hipóteses que supõem um médium poliglota falando os idiomas dos seus antepassados longínquos, adquiridos por herança fisiológica, ou dando à criptopsiquia (conjunto de faculdades ocultas do psiquismo) projecções fantásticas que fariam de um médium um ser omnisciente, o qual, segundo esta hipótese, poderia captar a consciência ou a memória que, depois da morte de um ser, andaria, momentaneamente, como a fumaça desprendida da chama, flutuando no éter do espaço, como se a consciência e a memória pudessem conceber-se sem o eu espiritual, consciente e por si só capaz de recordação. 

Sem dúvida, deve-se aos metapsiquistas o novo impulso que tomou o Espiritismo e que muitos homens de ciência se tenham interessado pelo seu estudo, em particular o professor Richet, que com o seu Tratado de Metapsíquica rompeu o hermetismo da Academia de Ciências de Paris e fez da Metapsíquica uma ciência oficial, considerada hoje como um ramo das ciências naturais, assim como o grande psicólogo Frederic Myers, com a sua obra A Personalidade Humana e o doutor Gustave Geley com Do Inconsciente ao Consciente, levaram a teoria espiritista às aulas universitárias. 

A Metapsíquica, como temos dito, é uma disciplina científica tão antiga como o Espiritismo, posto que não é mais do que este na sua fase experimental; nela há três correntes: uma que podemos chamar de vanguarda, por ser a mais revolucionária na ordem científica e a única perfeitamente definida, como é a corrente espírita, em cuja frente figuram os experimentadores mais eminentes, como WallaceCrookesVarleyde Morgan, Zollner, Podmore, Aksakof, HodgsonBarrettLodgeFlammarionLombroso, Brofferio, Geley, Bozzano, etc; a outra é a corrente centrista, formada pelos sábios indecisos, que vacilam entre a dúvida e a crença, que não se atrevem a negar em absoluto a teoria espírita, nem se arriscam a afirmá-la, temerosos de se equivocarem e que, como o ilustre Charles Richet, longe de negá-la, nela não crêem suficientemente provada e dizem com ele que “é necessário dotá-la de uma base sólida, constituída por factos indiscutíveis”, o que seria muito lógico, se esta base sólida não estivesse, como está, perfeitamente constituída; a retaguarda constitui a corrente conservadora, os não alinhados da ciência, que alimentam as ilusões do paralelismo psicofisiológico e sentem nostalgia do materialismo... 

Aí está, para responder às dúvidas e objecções dos metapsiquistas não-espíritas, a incomparável Katie King, frente a frente com o seu médium, este mostrando-se simultaneamente com ela, perfeitamente visível, tangível e fotografável, vivendo, accionando, pensando, discorrendo, conversando com ela, animando-a e revelando, ambas, duas personalidades física e psicologicamente distintas, duas individualidades biológicas inconfundíveis; aí está Estela de Livermore, manifestando-se durante cinco anos, em 388 sessões, materializando-se e desmaterializando-se à vista de seu esposo e do doutor Juan F. Grau (como o fizera Katie King à vista de William Crookes), beijando aquele, dando-lhe provas de afecto e carinho, falando intimamente com ele, escrevendo com a própria caligrafia que tinha em vida, nas folhas de papel que este lhe dava e perante a sua vista; aí estão estas e outras mil manifestações de espíritos materializados desafiando a absurda hipótese da “prosopopéia-metagnomia” que pretende, arbitrariamente, sejam um produto fantasmal da ideia “plasticizante” do médium; aí estão os fenómenos de correspondência cruzada, que descartam toda a explicação não-sofística, fundada em hipóteses anímicas; os de escrita automática e directa com a caligrafia própria do defunto, com as suas ideias, as suas opiniões e a modalidade própria de cada entidade manifestante; os de voz directa, que constituem, quando o fenómeno é autêntico, a prova mais formidável da comunicação espírita; os de xenoglossia, que, como os observados pelo juiz John W. Edmonds com a sua filha Laura e o obtido pelo médium Valiantini por voz directa, citado por Dennis Bradley, não podem ser explicados pela hipótese metapsíquica de Flournoy e muito menos por revivescências ancestrais; aí estão, enfim, as provas de identidade, obtidas pela mediunidade falante, que, como as expostas por Ernesto Bozzano na obra já mencionada, constituem, com o que expusemos e com o muito que desejamos expor, a base de granito sobre o qual se baseia o Espiritismo. 

O Espiritismo se alça vigoroso e triunfante acima dos ataques e objecções que lhe dirigem os seus inimigos; ergue-se como árvore frondosa, carregada de frutos promissores, frutos que a experiência abonou, que sazonou em quase um século de observação e de estudo e que hoje oferece à humanidade sofrida, como resultado de muitos sacrifícios e dissabores, não para adormecê-la no sono infecundo da quietude, como crêem alguns, mas para estimulá-la com o atractivo da imortalidade, que leva em si mesma todos os nobres anseios da vida e do progresso continuado do espírito, através de vidas sucessivas, de existências sempre renovadas e sempre superadas. 

O Espiritismo é ciência filosófica e ao mesmo tempo filosofia científica: ciência filosófica porque deduz conclusões dos factos que examina e filosofia científica porque repousa nos factos da Psicologia, da Metapsíquica e da ciência em geral, e é também ciência integral e progressiva, porque referindo-se ao espírito humano (sujeito e objecto de seus estudos e sempre perfectível), à sua evolução, ao seu destino, às suas relações com a humanidade e com o universo, nele integra os conhecimentos. 

A sua filosofia é eminentemente dialéctica; a sua concepção da vida, dinâmica; o seu conceito genético (iii) da história. 

Até meados do século passado, o Espiritismo não formou um corpo de doutrina. Os elementos desta ciência profunda do espírito, tanto no que se refere aos fenómenos como aos conceitos filosóficos, achavam-se dispersos por todos os povos da Terra e encontram-se em todas as épocas da história misturados com as mais diversas crenças e práticas religiosas. As pessoas dotadas de faculdades mediúnicas foram consideradas ora como deuses ou adivinhos, ora como demoníacas, bruxos ou feiticeiros. As práticas foram de domínio esotérico das religiões e por isso, em alguns casos, conservam esse selo de misticismo e de superstição do qual o Espiritismo ainda não se tem podido desprender, não obstante os avanços da ciência e da crítica razoável. 

Os fenómenos foram aceitos sem classificação nem ordem, tomando-se as manifestações anímicas por revelações espíritas, ou estas por aquelas, e muitas vezes a charlatanice e a sofisticação, pela verdade. E não é estranho que haja, todavia, muitas pessoas que creiam firmemente que tudo o que sai da boca de um médium é manifestação genuína do além. 

Se isto aconteceu com os fenómenos, que se poderia esperar da teoria? Esta adoeceu e adoece ainda de defeitos análogos, defeitos de interpretação e, portanto, de uniformidade filosófica e ideológica, tudo devido à influência das religiões, ao carácter de revelação providencial, de infalibilidade ou de superioridade que a gente simples ou ignorante atribui às comunicações espíritas e a essa tendência ao sincretismo que tudo quer conciliar – até mesmo os absurdos religiosos maiores, com os factos e conceitos mais claros e verdadeiros –, tendência que se nota em quase todos os autores clássicos e não em poucos modernos, que ainda vivem presos à rocha dos prejuízos da velha escolástica. Eis porque o Espiritismo, como filosofia, resulta numa doutrina heterogénea e em alguns casos contraditória, cujos princípios e preceitos diferem entre si, a tal ponto que originam duas correntes opostas: religiosa e conservadora, outra racionalista e revolucionária, que hoje se manifestam pronunciadamente. 

Em 1857, Léon Hippolyte Denisard Rivail – Allan Kardec –, espírito observador e de uma penetração pouco comum, examinou, compilou e classificou os factos, formulou a teoria e estabeleceu a nomenclatura espírita, criando um vocabulário com o qual expressou os factos e os conceitos doutrinários que deles resultam. Mas a doutrina de Kardec e dos seus colaboradores, mesmo sendo verdadeira nos seus princípios fundamentais, não pôde ultrapassar os limites de sua época nem romper por completo com os moldes religiosos aos quais se ajustou. Kardec buscou conciliar o Espiritismo, por um lado, com a ciência; por outro, com as religiões, usando métodos, procedimentos de lógica, formas de pensamento e de linguagem próprios dos dois. Isto pôde ser conveniente no seu tempo, em que a fé religiosa, à falta de melhor compreensão dos fenómenos espiritistas e do carácter de revelação que se lhes atribuía, desempenhava um papel primordial no ânimo dos adeptos, diferente dos que buscavam a verdade pela experiência e o raciocínio, mesmo sabendo-a possível e demonstrável. Por outro lado, a crença na sobrevivência do espírito ainda não havia sido desalojada da ciência pelo positivismo e pelo materialismo. Hoje, as exigências do espírito científico e filosófico, que abarcam horizontes mais amplos, não se satisfazem com os expedientes religiosos e morais de São Luís, de Santo Agostinho ou de qualquer outro santo filósofo ou teólogo, nem com versículos, preceitos ou parábolas extraídos da Bíblia. 

A moderna concepção do Espiritismo veio elaborando-se com a experiência dos factos, não só no terreno da Psicologia experimental, no fenomenismo metapsíquico e espírita – que lhe serve de base fundamental –, como também abonando este terreno com a contribuição das demais ciências físicas e naturais e com as reflexões filosóficas que estas sugerem. Por outras palavras, podemos afirmar que o Espiritismo, durante o processo de sua evolução, estava em gestação na consciência e na mente dos homens que o levariam a uma nova concepção científica e filosófica, estava formando a nova dialéctica espiritualista ajustada aos factos da Psicologia moderna e da concepção espírita dínamo-genética da vida e da história. 

Os novos tempos, os novos homens, as novas concepções do Universo, as novas ideologias e as novas formas das ideias. 

O sinal do evidente progresso do Espiritismo na actualidade é a sua grandiosa concepção dialéctica, cujos elementos fundamentais expomos nesta obra, bem como enriquecimentos de sua terminologia, que sofreu uma sensível renovação e foi aumentada consideravelmente com neologismos apropriados, necessários para a compreensão e devida classificação dos factos, das ideias e conceitos. 

Não há ciência nem filosofia que, no curso de sua evolução, não sofra modificações, não mude em algum dos seus conceitos e nos limites do conhecimento, à medida que este se faz mais extensivo, mais claro, mais compreensível, mais ajustado à verdade essencial que encarnam os factos ou fenómenos estudados. 

A concepção dialéctica e a sua lógica científica põem de manifesto a renovação e o avanço do Espiritismo, despojando-o de todo o elemento alheio ao seu conteúdo científico e filosófico e reafirmando um dos mais formosos princípios de sua doutrina: O Espiritismo, marchando de acordo com os progressos da ciência, nada tem a temer. 

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(i) Ver também, As Vidas Sucessivas, do mesmo autor. 
(ii) O autor refere-se à obra A Propósito da “Introdução à Metapsíquica Humana”, que teve o objectivo de refutar as teorias de René Sudre em sua obra Introdução à Metapsíquica Humana. (N.E.)
(iii) Ciência filosófica porque estuda e resume na sua vasta filosofia todos os princípios filosóficos relacionados com o ser e o pensar, e filosofia científica porque repousa em factos experimentais e de observação, partindo da Psicologia e da Metapsíquica e estendendo-se às ciências em geral e, por conseguinte, considerado nas suas relações e projecções com as ciências particulares. 


Manuel S. PorteiroEspiritismo Dialéctico, CAPÍTULO I Fundamentos científicos da concepção neo-espírita da vida e da história – Que somos? (XI), 11º fragmento da obra. 
(imagem de contextualização: Personajes, Pintura de Josefina Robirosa)